About

Faço questão de dizer que minha formação profissional iniciou ainda criança, crescendo sempre próximo da mesa de desenho do seu pai, o desenhista de propaganda Romeu Borba. Aprendi com ele as primeiras lições de desenho e de tipografia, observando-o desenhar letras que mais tarde se transformariam em letreiros de acrílico, aço, cobre e latão.

Meu pai, Romeu Borba, desenhando embalagens para a Neugebauer, por volta de 1950.

Meu pai, Romeu Borba, desenhando embalagens para a Neugebauer, por volta de 1950.

Minha carreira caracteriza-se por mudanças de direção. Comecei meu trabalho  como criador de imagens, pintando em camisetas, os visuais de surf do final dos anos 70 ao início dos anos 80. Estampei ondas dos mais diversos picos do planeta, a partir de uma rudimentar técnica, borrifando tinta com uma escova de dentes. Depois passou pelo uso de pistola de pintura até chegar aos aerógrafos alemães Holbein.
Depois de alguns anos vendendo camisetas com estampas em airbrush para surf shops, ingressei de fato naquilo que se chamava de artes gráficas.
Trabalhei na produção de materiais de divulgação para o comércio: panfletos, cartazes, displays, vitrines. Logo mudei para a produção de arte para a indústria de embalagens e logo depois, em estúdio  próprio, passei a criar logotipos e os mais diversos tipos de impressos. Logo no início dos anos 90, migrei para o meio digital e comecei a abandonar a letraset e a fotocomposição. Me formei  artista visual pelo Instituto de Artes da UFRGS e passei a realizar os trabalhos de design gráfico usando o computador como principal ferramenta.

No início dos anos 2000, comecei a trabalhar também para a internet, desenvolvendo  trabalhos para uma incubadora de projetos para a web. Logo em seguida, agreguei o  3D ao meu currículo, ao fazer parte de projetos de computação gráfica para o meio acadêmico, realizando inúmeros trabalhos para a universidades como UNISINOS e UFRGS. Essa experiência me levou a trabalhar como designer na UCL – Université catholique de Louvain, na Bélgica. Durante este período, aproveitei também realizar pesquisa de arte em desenho digital, desenvolvendo uma técnica que resulta em animações. Depois de quase 10 anos envolvido com design para a área científica, mudo mais uma vez, me inserindo fortemente na área da moda, que me surpreendi ao descobrir o quanto eu posso colocar em prática minha experiência acumulada ao longo dos anos, desenvolvendo estampas, desenhos e ilustrações aplicados à moda, além de me tornar professor de desenho e ilustração de moda e também do curso de design gráfico no SENAC.

estudio-moi

Sobre os trabalhos com estampa localizada, meu ponto de partida tem sido elementos naturais diversos, os quais os percebo de forma particular, seja devido às cores, à forma ou certa estrutura. Ao perceber fragmentos da natureza, logo uma imagem se oferece para ser subvertida, desconstruída, agregada a outra, replicando-a, em muitos casos, de forma simétrica. Levo então esses recortes da natureza para o universo digital, recriando-os em novas imagens.
Creio que que esse trabalho está ainda muito no início. Há muito a ser desenvolvido e principalmente, a ser experimentado.
Sobre esta experiência de transformar suas imagens em estampas para a moda, atualmente de forma  exclusiva para a marca Ursula Beltrame, ele diz: “Desenho principalmente a partir da percepção pessoal que tenho sobre produtos da natureza. Projetar minha arte na superfície de tecidos, na forma de estampas, para que depois sejam usadas, vestidas, é um privilégio. É a possibilidade de ter o meu modo particular de ver as coisas, levado-o a lugares os quais desconheço”.