A cor como uma ferramenta

The Carina Nebula

The Carina Nebula

As imagens que o Telescópio Espacial Hubble tem enviado ao planeta nestes 20 anos de pesquisa, causam frequentemente estarrecimento quanto a composição de suas cores. O universo pode nos causar um fascínio ainda maior, quando se tem a crença de que cenários inacreditavelmente coloridos de dimensões medidas em anos-luz, estão aos bilhões espalhados pelo universo.

A verdade por trás das fascinantes cores destas fotografias está na função as quais elas estão submetidas.
O fato é que as imagens que o Hubble captura, na verdade são formadas por tons de cinza.
As cores são introduzidas a partir de um complexo processo formado inicialmente por duas ou mais exposições em preto e branco.
Portanto, do ponto de vista do realismo, grande parte das cores destas imagens são falsas. No entanto, a introdução destas cores, ainda que o resultado final tem sido invariavelmente poderoso, não pretende ser artístico. Como dito anteriormente, neste caso, cor é função.

Cor, nas imagens do Hubble, são para dar destaque para um determinado estudo sobre um fenomeno em específico, visualizar suas características, acentuar certos detalhes.
Zolt Levay, imaging expert do Space Telescope Science Institute, tem trabalhado na formação de muitas imagens coletadas pelo Hubble ao longo de sua história, entre elas The Carina Nebula, nebulosa “lar’ da “Eta Carinae” uma ultra-luminosa hiper-gigante estrela. Levay apontou as cores para a composição deste mosaico formado por 48 imagens,. Estas cores representam elementos químicos captados pelos instrumentos do Hubble. Dessa forma, o azul representa oxigênio, vermelho enxôfre e o verde hidrogênio. Cores que ajudam a decifrar uma pequena região do universo, que mede cerca de 50 anos-luz.

Mesmo que saibamos que estas cores não representam a realidade e que a adoção delas significa o mesmo que utilizar uma ferramenta, não invalida a percepção que se possa ter sobre as imagens trazidas de lugares ainda muito difíceis de se imaginar, pois são, agora sim, na realidade, impossíveis de serem vistos.

por MHB em 20 de May de 2009, em imagens, infográficos, mhblog

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